A hérnia de disco ocorre quando há migração do conteúdo interno do disco, o núcleo pulposo, para além dos seu limite anatômico periférico, o anel fibroso.
Quando essa migração ocorre em uma direção específica, pode haver compressão de estruturas neurológicas, como nervos ou a medula espinhal, tornando-se sintomática, podendo também ser causada pela própria cascata inflamatória ao redor da estrutura neuronal. A hérnia de disco cervical sintomática, acomete cerca de 18,6 pessoas a cada 100 000, com pico de incidência ao redor da sexta década de vida (50-60 anos). As hérnias na coluna torácica são mais raras, podendo acometer 1 a cada 1 000 000 de pessoas e correspondem a cerca de 0,1 a 3% de todas as hérnias de disco, com pico ao redor dos 30 aos 50 anos de idade. Já no nível lombar, é a principal causa para dor ciática e pode acometer até 5% da população anualmente.
Quais são as causas para Hérnia de Disco?
Como fatores de risco associados ao surgimento de hérnia de disco, podemos destacar o excesso de peso, o sedentarismo, fatores ocupacionais, genéticos, tabagismo e a exposição ocupacional à vibração, como equipamentos automotivos ou operação de máquinas.
Como é feita a avaliação da Hérnia de Disco?
A avaliação inicial inclui uma história detalhada da queixa do paciente, do tempo de evolução dos sintomas, da característica da dor e se ela corresponde a sinais e sintomas relacionados à compressão de estruturas neurológicas. Frequentemente achados de hérnias discais ou de abaulamentos discais nos exames de imagem são assintomáticos, podendo chegar a 50% em populações de 40 anos de idade. Desta forma, a avaliação de exames de imagem deve ser cautelosa e deve haver correlação clínica com a queixa do paciente para não gerar preocupação, ansiedade e tratamentos desnecessários. Quando bem indicado, podemos optar pela utilização de exames de imagens, como radiografias simples, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Como é feito o tratamento da Hérnia de Disco?
A história natural da hérnia de disco, ou seja, a sua evolução, independente de intervenção médica, é geralmente favorável. Estudos mostram que no intervalo de quatro a seis meses há melhora considerável dos sintomas na maioria dos pacientes, a menor parte, necessitando de intervenção cirúrgica.
Cabe ao médico reconhecer os potenciais sinais de gravidade, risco de evolução com complicações e tratar, principalmente, os sintomas do paciente. Nesse sentido, a maioria das pessoas se beneficia inicialmente do tratamento conservador, incluindo atividade física, reabilitação física, manipulação, tração (para casos de hérnia discal cervical) e o tratamento medicamentoso.
Devemos considerar o tratamento cirúrgico nas raras situações em que não há melhora do quadro, apesar do tratamento conservador adequado ou se houver sinais neurológicos progressivos ou potencialmente graves.
Referências:
1. Yoon, W. W. & Koch, J. Herniated discs: when is surgery necessary? EFORT Open Rev 6, 526–530 (2021).
2. Brinjikji, W. et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am. J. Neuroradiol. 36, 811–816 (2015).



